PRESÉPIO ALPALHOEIRO
PRESÉPIO DO POVO

II Presépio Alpalhoeiro

Conceito e Organização – CASA D’ALPALHÃO

Curadoria – Maria Pires da Silva

No Alto Alentejo, a vila de Alpalhão celebra a tradição cultural do presépio, com o envolvimento da comunidade na vivência do espírito de Natal, através da construção e exposição de um presépio.

Obrigado a todos aqueles que em Alpalhão viveram o Natal de forma autêntica, mergulharam na tradição e celebraram a união entre a arte e o povo.

Esperamos por todos no próximo Presépio Alpalhoeiro!

O Presépio «é um exercício de fantasia criativa que emprega os materiais mais diversos para dar vida a pequenas obras-primas. Aprende-se desde criança: quando pai e mãe, junto com os avós, transmitem este jubiloso hábito, que encerra em si uma rica espiritualidade popular»

PAPA FRANCISCO, na carta apostólica Admirabile signum, 1 de dezembro de 2019

Além do presépio, a exposição contou com três cenas natalícias que destacaram o talento e a dedicação dos artesãos e ainda o património cultural de Alpalhão. As Cantigas de Natal, interpretados pelo Grupo de Contradanças de Alpalhão ofereceram um bonito momento que encerrou a segunda edição do Presépio Alpalhoeiro.

CENA I

Em palhas deitado…

Conceito e produção – Maria Pires da Silva

Na suave quietude da cena, o Menino Jesus repousa nas palhinhas, tal como canta a velha cantiga alentejana

«Olhei para o céu, estava estrelado,
Vi o Deus Menino, em palhas deitado.
Em palhas deitado, em palhas estendido,
Filho duma rosa, dum cravo nascido!»

Sobre um pano delicadamente bordado, rodeado pela simplicidade e beleza da palha, desperta a reverência e a ternura em quem vê no nascimento não apenas um milagre, mas pura poesia e devoção.

A cena, singela e repleta de significado, é um tributo à rica herança cultural da terra. O bordado, com a sua precisão e delicadeza, acolhe a figura do Menino Jesus, tornando-o ainda mais sublime na sua humildade. Por cima, uma socha – um abrigo rústico usado por pastores, feito troncos de madeira, ramos, palha e outros materiais encontrados na natureza – protege o pequeno ser, simbolizando o acolhimento simples, mas profundo, dos humildes que reconhecem no Natal a verdadeira essência do amor.

No calor dessa humildade, o Menino Jesus, envolto pelas palhinhas e pelo pano bordado, é guardado pela fé que, como a socha de um pastor, acolhe e protege a luz do mundo.

CENA II

Pinheiro Alpalhoeiro

Conceito e produção – Maria Pires da Silva

O pinheiro representa vida, esperança e renovação. Verde no inverno, simboliza a vida e a promessa de renovação. O nosso pinheiro foi cortado no âmbito de uma gestão ambiental responsável, e carinhosamente trazido por um Orgulhoso Alpalhoeiro. O Pinheiro do Presépio Alpalhoeiro nasceu em terras de culto e devoção, onde o espírito se eleva e a tradição de um povo se faz presente.

O Pinheiro de Natal simboliza vida, e esperança, por ser uma árvore perene que mantém o verde no inverno, representando a vida que persiste. A tradição combina rituais pagãos de fertilidade com o cristianismo, onde a árvore com a Estrela de Belém e as luzes reflete a luz e a fé inabalável, tornando-se um eixo de conexão entre o céu e a terra. Culturas antigas já usavam árvores decoradas como o pinheiro para celebrar o solstício de inverno, simbolizando a fertilidade e a força da natureza. No século XVI, Martinho Lutero terá juntado velas que evocavam estrelas brilhando sobre os pinheiros. Para os Cristãos, a árvore representa a vida eterna em Jesus, a Estrela de Belém no topo, e as bolas que ornamentam simbolizam os frutos da vida e as bênçãos.

Pinheiro – A vida eterna, a esperança e a resistência
Estrela – A estrela que guia
Luzes e Velas – A luz que ilumina o mundo
Bolas Coloridas – Os frutos da vida e a alegria

O pinheiro é um símbolo universal de vida e esperança, enriquecido com múltiplos significados culturais e religiosos ao longo dos séculos, especialmente durante o Natal.

Representando os frutos da vida e a alegria, o Pinheiro Alpalhoeiro junta as flores – Cravos e Rosas – associadas à expressão artística popular de Alpalhão, que dão uma profundidade única ao simbolismo do pinheiro, tornando-o ainda mais significativo na celebração da vida e da renovação. As Rosas e os Cravos lembram ainda que o nascimento e o renascimento são na sua essência, uma flor que desabrocha e traz consigo a promessa de novos ciclos, de renovação e de esperança, tanto na vida quanto nas tradições que celebramos.

«Olhei para o céu, estava estrelado,
Vi o Deus Menino, em palhas deitado.
Em palhas deitado, em palhas estendido,
Filho duma rosa, dum cravo nascido!»

Esta velha cantiga alentejana surge como uma maravilhosa metáfora, que liga a flor ao milagre da vida. A cantiga, com a sua simplicidade poética, evoca não apenas o nascimento do Menino Jesus, mas também a ideia universal de que cada novo início, seja ele no coração das pessoas ou nas tradições que acarinhamos e preservamos, é como uma flor que brota e se renova, trazendo consigo a luz da esperança e da continuidade.

CENA III

«Querem cá o Menino Deus?»

Conceito e produção – Maria Pires da Silva

Recorde o tempo em que um grupo de cinco homens percorria as ruas, batendo às portas e representava o Presépio de Alpalhão – Auto Pastoril da Natividade!

Na véspera de Natal, antes da Missa do Galo, realizava-se uma encenação popular, protagonizada por um grupo de cinco homens que percorriam as casas, repetindo o espetáculo em troca de alimentos. Embora essa tradição tenha caído em desuso há várias décadas, este auto pastoril da natividade ainda é recordado por muitos dos mais velhos da comunidade.

O «Presépio de Alpalhão» era constituído pela Nossa Senhora que era representada por um homem vestido com roupas negras e uma mantilha e por São José, que usava um capote e carregava um cesto com uma figura do Menino Jesus. Eram acompanhados por três pastores que trajavam pelicos pretos, cinta e carapuça encarnadas e paus – Lourenço, Pascoel e Nembro. Ao chegarem à porta de uma casa, batiam e perguntavam «Querem cá o Menino Deus?». Ao obterem uma resposta positiva, entravam, posicionavam-se e começavam a encenação.

A cena prolonga-se com figuras de pastores e rebanhos que representam a tradição pastoril de Alpalhão, e revelam a ligação entre a terra e o homem, celebrando a importância da pastorícia na vida da região e a relação espiritual com a natureza.

Na sequência de uma divulgação continuada do património cultural natalício de Alpalhão a Junta de Freguesia criou no I Presépio Alpalhoeiro uma representação do Presépio de Alpalhão – Auto Pastoril da Natividade.

Este ano, Maria Pires da Silva reinterpretou esta tradição alpalhoeira que caiu em desuso, como se ainda hoje fosse vivida e representada, recordando o tempo em que um grupo de cinco homens percorria as ruas, batendo às portas e perguntando «Querem cá o Menino Deus?», mantendo viva a tradição na memória coletiva.

Reviver o Passado, Cultivar o Futuro – Lançando e Cuidando da Semente para Celebrar a Tradição!

ENCERRAMENTO

Cantigas de Natal

Contradanças de Alpalhão

Mercado de Natal

Um presépio feito pelo povo, para o povo!


II PRESÉPIO ALPALHOEIRO – PRESÉPIO DO POVO

20 e 21 de DEZEMBRO de 2025 | Mercado de Alpalhão – Nisa
Conceito e organização

CASA D’ALPALHÃO www.casadalpalhao.pt

Curadoria

Maria Pires da Silva

Apoios

Junta de Freguesia de Alpalhão

Câmara Municipal de Nisa

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